Locadoras se capitalizam e expandem negócios

Quando as novas ações emitidas pela Localiza começarem a circular hoje, a companhia terá concluído a maior captação de recursos de seus quase 15 anos como empresa de capital aberto: R$ 1,82 bilhão. O montante levantado pela maior empresa de aluguel de veículos do país é um sinal do bom momento da bolsa brasileira e também uma amostra do que está por vir em termos de competição no setor.

Assim como a Localiza, suas principais concorrentes reforçaram seus “baús de guerra” nos últimos meses, com objetivo de acelerar a expansão das frotas e da presença pelo país. Em dezembro, a Unidas Locamérica captou R$ 1,37 bilhão também com a emissão de ações. A Movida acessou o mercado emitindo uma debênture de R$ 600 milhões.

Fora da bolsa, o grupo baiano LM, que tem uma frota de 23 mil carros e mil caminhões, lançou em dezembro uma debênture de R$ 300 milhões. O Valor apurou que o objetivo inicial da companhia era levantar R$ 200 milhões, mas a oferta foi ampliada em mais R$ 100 milhões por conta do grande interesse do mercado.

“O setor se provou durante a crise, mantendo um ritmo de crescimento constante, e agora, com a retomada da economia a expectativa é que essa expansão se mantenha”, diz Edmar Lopes, diretor financeiro e de relação com investidores da Movida.

De acordo com o executivo, mesmo com a retração do PIB o setor avançou com um crescimento anual na faixa de 10% e 15% no número de locações. “O preço médio da locação caiu de R$ 150 para R$ 80 em três anos, mas a taxa de utilização da frota passou de 60% para 75%”, diz.

Segundo ele, apesar de ter havido queda demanda em setores que tradicionalmente eram os grandes clientes das locadoras (como governo e empresas de construção e óleo e gás) a mudança de hábitos dos consumidores – que estão mais acostumados ao conceito de compartilhamento e menos interessados em ter um carro – e a competição criaram novas oportunidades. Um mercado que surgiu foi, por exemplo, o de motoristas de aplicativos como Uber e 99.

Também tem crescido entre as companhias o modelo de locação de longo prazo, ou de “assinatura” de um veículo pelos consumidores. Assim como ocorre com as empresas, em vez de comprar o veículo e arcar com custos de impostos e seguro, o cliente paga uma mensalidade que já inclui tudo isso.

Na Movida, o conceito de multimodal ganha força. A ideia é oferecer não só carros, mas também outros meio de transporte, como bicicletas elétricas. Por meio de um investimento na E-Moving anunciado em agosto, a companhia começou a oferecer as “magrelas” em São Paulo.

De 2019 em diante, o que se espera é que essa movimentação entre os consumidores se mantenha e que as empresas voltem a contratar. “Estamos posicionados em todos os setores e percebemos que o movimento de retomada é generalizado. Temos grandes projetos sendo trabalhados”, diz Luis Fernando Porto, presidente da Unidas Locamérica.

Segundo ele, 2019 será de expansão mais acelerada para a companhia porque será o primeiro ano completo desde a fusão da Unidas com a Locamérica, anunciada em dezembro de 2017. “Em 2018 tiramos seis meses de crescimento para organizar a estrutura nova. Começamos a crescer depois de junho”, disse.

De acordo com ele, apesar da redução dos preços dos últimos anos, a disputa entre as empresas se mantém em um patamar “racional”, sem que nenhuma precise lançar mão de táticas que podem ser consideradas nocivas para o mercado. “Existe uma disciplina financeira e uma busca por rentabilidade muito fortes”, diz.

Os grandes grupos do setor têm se fortalecido com um intenso movimento de consolidação nos últimos anos. A Localiza assumiu os negócios da Hertz; a Unidas e a Locamerica uniram suas operações; a Movida e a Avis juntaram seus negócios e a Maestro comprou a Locarcity.

Para Paulo Miguel Junior, presidente do conselho gestor da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), o setor ainda tem muito a crescer no Brasil por conta da baixa penetração no uso desse tipo de serviço. “Os 700 mil carros em locação representam apenas 12% da movimentação das montadoras, um percentual muito baixo na comparação com outros países. Nos EUA só uma empresa tem um total de carros igual à frota do Brasil todo”, diz.

Fonte: Valor Econômico

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